European Sport Congress: uma experiência de partilha e inovação
A investigação científica ganha verdadeiro impacto quando ultrapassa as paredes da universidade e chega aos espaços onde se discutem os desafios do futuro. Foi precisamente com esse espírito que tive a oportunidade de acompanhar a minha aluna de mestrado, Margarida Direito, durante a sua participação no European Sport Congress, um dos principais eventos europeus dedicados à inovação, investigação e desenvolvimento no desporto.
O congresso reúne investigadores, organizações, decisores políticos e entidades ligadas ao ecossistema desportivo europeu, promovendo a divulgação de projetos, a criação de parcerias internacionais e a discussão de novas abordagens para o futuro do desporto.
Uma investigação sobre a transformação digital no futebol português
Durante o congresso, a Margarida apresentou a sua investigação intitulada:
“Proposed Guidelines for the Creation of a Digital Transformation Metaplan for Football Clubs in Portugal”
Este trabalho procura responder a um desafio cada vez mais relevante para o futebol nacional: como estruturar um plano estratégico que permita aos clubes acelerar a sua transformação digital de forma sustentável e organizada.
A transformação digital deixou de ser apenas uma questão tecnológica. Atualmente representa uma mudança estrutural na forma como os clubes gerem os seus processos, comunicam com adeptos, analisam dados, desenvolvem talento e tomam decisões estratégicas. Diversos estudos têm demonstrado que a maturidade digital encontra-se cada vez mais associada à competitividade e ao crescimento das organizações desportivas.
Foi particularmente gratificante acompanhar a apresentação deste trabalho e observar o interesse demonstrado por participantes provenientes de diferentes países europeus, reforçando a importância da investigação portuguesa neste domínio emergente.
A importância de acompanhar os estudantes além da sala de aula
Enquanto docente e investigador, considero que o acompanhamento dos estudantes não termina com a orientação científica realizada na universidade.
Estar presente durante a apresentação de uma investigação, apoiar na preparação, discutir ideias antes da sessão, assistir ao momento da defesa do trabalho e promover contactos com outros investigadores constitui uma parte essencial da formação de qualquer jovem investigador.
É precisamente nestes eventos internacionais que muitos estudantes têm o primeiro contacto com a comunidade científica, aprendem a comunicar os seus resultados e desenvolvem competências fundamentais para a sua carreira académica e profissional.
Ver os nossos estudantes representarem Portugal em eventos internacionais é sempre motivo de enorme satisfação.
Uma representação portuguesa de excelência
A participação portuguesa contou igualmente com diversas personalidades ligadas ao setor do desporto, entre as quais:
- Drª. Anabela Reis, Vice-Presidente do Conselho de Administração da Fundação do Desporto;
- Dr. Paulo Marcolino, Diretor Executivo da Fundação do Desporto;
bem como representantes de várias instituições nacionais e internacionais ligadas ao desenvolvimento do desporto, inovação e cooperação europeia.
A presença destas entidades demonstra a crescente importância que Portugal assume na discussão das políticas de inovação, sustentabilidade e transformação digital aplicadas ao desporto.
Networking, colaboração e novas oportunidades
Para além das sessões científicas, o congresso proporcionou inúmeras oportunidades de networking entre investigadores, organizações e responsáveis por projetos europeus.
Estas iniciativas permitem criar novas colaborações internacionais, conhecer projetos inovadores e identificar desafios comuns que podem dar origem a futuras investigações ou candidaturas a programas europeus.
Enquanto investigador, considero que este contacto direto com a comunidade científica internacional é um dos aspetos mais enriquecedores de qualquer congresso.
Reflexão final
Regresso deste congresso com um enorme orgulho pelo trabalho desenvolvido pela Margarida Direito e pela forma profissional como representou a investigação portuguesa.
A internacionalização da ciência faz-se através das pessoas, das ideias e da capacidade de transformar conhecimento em impacto real. Continuarei a incentivar os meus estudantes a apresentarem os seus trabalhos em conferências internacionais, acreditando que estas experiências são fundamentais para o seu crescimento académico e profissional.
Parabéns à Margarida por mais esta importante etapa do seu percurso. Tenho a certeza de que este será apenas mais um passo numa carreira científica promissora.
